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No dia 24 de Setembro realizou-se em Pinhel mais uma reunião ordinária da Assembleia Municipal, como de costume, não noticiada no site do Município. Como de costume também, a Empresa Municipal Falcão foi um dos temas abordados, ainda que não pela iniciativa da oposição, mas sim do próprio Executivo Municipal.
O Vereador Rui Ventura, tomando a palavra acerca do projecto das piscinas municipais (tema que eu tinha abordado no período de antes da ordem do dia), aproveitou para falar sobre a Falcão EM, apresentando dados acerca dos funcionários existentes, e entregar uma lista dos referidos funcionários. Ou seja, prestou exactamente os mesmos esclarecimentos que já tinha prestado, como se a oposição tivesse feito as mesmas questões. Ainda que, como já não é a primeira vez, tenha saído do tema para o qual lhe foi concedida a palavra, e dirigindo-se manifestamente à Concelhia de Pinhel do Partido Socialista, o Vereador Rui Ventura prestou esclarecimentos que na verdade o PS não lhe tinha pedido. As questões que foram recentemente colocadas pela Concelhia do PS, através de um documento publicado online, e em cuja redacção participei, resumiam-se à inexistente valorização do Património Histórico do Concelho, à manifesta falta de quadros qualificados entre os funcionários da Falcão E.M., e o pouco dinamismo da Empresa, que na nossa opinião, e passo a citar o documento, “tem garantido tão-somente a continuidade das actividades que anteriormente eram assumidas directamente pelo Município”. Estas foram as questões colocadas. Estas foram as questões que não foram respondidas. Entretanto, já no período da intervenção do público, o mesmo Vereador Rui Ventura, em resposta a um munícipe que interveio, precisamente, acerca das actividades culturais que têm vindo a ser promovidas, divulgou oralmente (é pena que nem todos os dados sejam entregues por escrito) os números da afluência de pessoas ao posto de turismo, ao Castelo de Pinhel, ao bar do castelo, ao cinema, aos espectáculos musicais... enfim, aos diversos locais e actividades, que antes a Câmara garantia, e agora a Falcão E.M., do mesmo modo, garante. A objecção do munícipe que interveio aos dados de afluência de público ao espectáculo musical de Setembro, anunciados pelo Vereador, levantou a suspeita de que os números não correspondessem à afluência real de público. Isto porque os dados de um e de outro, diferiam substancialmente. De facto, depois de pensar um pouco sobre isso, nomeadamente sobre a anunciada média diária de visitantes do Castelo de Pinhel (acima de 30 visitantes por dia), para o período entre Janeiro e Setembro, deparei-me com a pouca razoabilidade desse número. Isso daria um número aproximado de 8100 visitantes ao Castelo de Pinhel, num período de 9 meses! Ora, se o Parque Arqueológico do Vale do Côa teve, no ano transacto, pouco mais de 12 000 visitantes em 12 meses, a Falcão E.M. só pode estar de parabéns, porque tornou o Castelo de Pinhel num dos monumentos mais conhecidos de Portugal! Será? Tendo em conta estes aspectos, penso que a Falcão E.M. deveria divulgar publicamente estes números, partindo naturalmente do princípio de que houve um engano nos números divulgados (oralmente) pelo Vereador Rui Ventura. Claro que, em relação à política cultural da Câmara Municipal, não posso concordar com o Vereador Rui Ventura, por dois grandes motivos. O primeiro deles é que não me parece que a afluência às actividades sejam pouca por falta de interesse das pessoas na Cultura, como foi referido pelo Vereador. O segundo é que, na minha perspectiva, política cultural não se resume a pagar espectáculos musicais e teatrais vindos de fora, mas sim criar dinâmicas internas que possibilitem produções locais, por um lado, e criar actividades alternativas às artes do palco, por outro, nomeadamente aproveitar os recursos do Património, em comunhão com as comunidades locais. Esta crítica àquilo que considero ser auto justificação da Câmara Municipal, para fundamentar a existência e o funcionamento da Falcão E.M., tem como objectivo apenas alertar para os perigos de uma política cultural mal conduzida, que degenera nos dispêndio de elevados recursos, com poucos resultados. Gonçalo Cruz
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